sábado, 31 de março de 2012

Sobre o Fim...

O silêncio era tudo o que pairava na velha casa. Cada um em seu canto da sala se preparando da melhor maneira possível para o que viria a seguir. Ele, amarrado em sua velha cadeira, apenas observando ela em pé observando as ferramentas sobre a mesa.

Era estranho imaginar que uma garota tão pequena pudesse prender sozinha Joel em uma cadeira. Aliás, também era difícil de imaginar como uma tira de tecido seria capaz de prender alguém com quase dois metros de altura em uma cadeira tão velha. Mas lá estava Joel, preso, apenas observando e aguardando qual seria o próximo passo de sua algoz.

Ela então, fitando-o com um olhar de grande ternura, pegou a primeira de suas facas prateadas, aproximou-se do rapaz e, com uma delicadeza quase angelical, penetrou a lâmina estreita com precisão quase cirúrgica entre o peritônio e o jejuno de Joel. A dor era inexplicável, porém, mesmo sem qualquer tipo de mordaça, Joel soltava apenas um gemido abafado.

Novamente, a garota cruzou o olhar com os penetrantes olhos azuis de Joel, ostentando um sorriso que derrubaria o mais bruto dos seres, a garota demonstrava um misto de carinho e compaixão pelo rapaz.

Pegou a segunda das sete facas que jaziam sobre a mesa. Com um suave beijo no ombro de Joel, a garota alojou a faca atrás do úmero direito do rapaz, que desta vez deixou escapar um gemido mais intenso.

E assim foi, beijo após beijo, faca após faca... Patela, nervo mediano, ilíaco, coracobraquial, e a última lâmina...

"Querido - disse a garota - estamos quase acabando... com esta última faca, abrirei sua jugular... você vai sentir um pouco de frio, mas em dois minutos tudo estará terminado. Sentirei sua falta..."

O rapaz ofegante, coberto por suor e sangue, olhou para a garota balançando a cabeça em sinal negativo. Com muita dificuldade levantou a cabeça, abriu a boca e, em um sussurro abafado disse: "Não... Não... No coração, por favor...".

A garota sorriu, encostou sua testa na de Joel, afagou seu rosto e, deixando escapar uma última lágrima, penetrou a faca no peito do rapaz com uma delicadeza própria de quem faz uma carícia. Por um momento os dois se olharam diretamente nos olhos. Um último suspiro foi dado, o corpo do rapaz já não realizava mais nem em movimento, apenas alguns espasmos... Um sorriso brotou em seu rosto, a íris se dilatou... Era o fim...




Ezequiel Stone

sábado, 24 de março de 2012

Para não falar de flores...

Buenas!

No final da noite você para e se pergunta, embora muito eventualmente, se realmente valeu à pena. Não é nem porque a resposta fará grande diferença em sua existência, mas você precisa pelo menos do registro para os seus anais do esquecimento e futuros arrependimentos que, por ventura, possam surgir num breve momento de fraqueza.

Assim aconteceu quando eu enchi a cara pela milésima duzentésima octagésima terceira vez, ou, simplesmente, o porre de número 1283, sem ter conseguido ficar bêbado, por seguir o conselho de beber um copo de água para cada copo de bebida que eu ingeri durante a fanfarra...

Não se deve ao fato de eu ter me feito a pergunta cedo naquela noite em meio à indiada (eu sou gaúcho, não é uma expressão preconceituosa, peloamordeDeus) o que me causa nostálgica tristeza, mas sim o custo adicional da água mineral sem gás, seguido por todas doses de vodka barata com pepsi cola que tive de beber para atingir o objetivo vil de ficar bêbado, além de a ressaca ter vindo igual, com a peculiar maratona de idas ao banheiro para esvaziar uma bexiga cheia pacas.

Mas algum aprendizado eu tirei disto tudo. Na noitada seguinte eu sentei próximo à sarjeta e bebi somente meu vinho barato e comi um chocolate para equilibrar a glicose. O que me deixou particularmente feliz.

Para a ilustríssima senhora minha esposa, simplicidade é tudo, onde sou forçado à concordar... quando lembro de minhas idas e vindas ao coma alcoólico, resoluto que o vinho barato ou a cachaça de barril de plástico faziam o mesmo efeito de um Jose Cuervo e limão ou Whisky com energético.

Agora, se me dão licença, hoje eu já me perguntei e valeu muitíssimo à pena, estão geladas, na horizontal e eu estou ingerindo sorridente o conteúdo dourado de seus cascos...

Boa noite!


Um país se faz com homens, mulheres, meninos, políticos, escândalos e feriados.
[Falcão]

quarta-feira, 14 de março de 2012

Sobre dias Comuns...

O que esperar de um dia comum?

Nada... Nada além das mesmas coisas e um pouco mais... Nada...
Pequenas coisas que definem cada ser e nos tornam mais vivos, mais humanos... É por certo que estas pequenas coisas nos moldam a cada dia, como o ônibus que atrasa, o pé de meia que você não encontra na gaveta ou os respingos que saem da garrafa térmica em uma tentativa frustrada de pegar café...

Coisas pequenas... Imensuráveis, vagas, abstratas, irrelevantes... As vezes uma "coisinha" dessas pode acabar com seu dia ou fazer com que você se sinta mais vivo e mais feliz... Mas nem por isso deixarão de ser pequenas coisas, e na maior parte irrelevantes, banais e cotidianas...



Ezequiel Eze

quinta-feira, 8 de março de 2012

12 minutos...

Onze na verdade, é o tempo que resta antes de dormir.

É difícil pensar no que fazer com onze minutos. Um macarrão instantâneo, talvez... talvez três...

Mais um minuto se foi... Um minuto a mais, ou um minuto a menos, depende do ponto de vista de cada um... O importante é que a vida passa... as vezes rápido demais para se perceber o que realmente é importante, o que realmente vale a pena, ou o que vale a galinha inteira...

Oito minutos... E nesta hora sempre surge mais idéias na cabeça do que realmente se pode escrever em seis minutos... Filosofias, revoltas, romances, traições, conspirações, ilusões, desilusões, preguiça...

Muito menos do que se espera para uma vida e muito mais do que se espera para três minutos...

É, acho que vou pro macarrão instantâneo...


Ezequiel Jones

sábado, 7 de janeiro de 2012

Indignação sim, frescura não!

Buenas!

Não é novidade para os amigos do Carlão o fato dele ser meio estúpido (muitas vezes sem razão, outras tantas com). Eu, normalmente, me divirto com o mundo e as cracas que se julgam humanos, tentando manter-me vivo e são durante o processo.



Não existe obrigação de gostar de tudo o que os outros gostam, afinal de contas se fosse assim isto aqui seria uma bagunça, porém existe uma obrigação máxima, mal-humorada na forma em que a apresento e que foi herdada de meu pai: o diabo do respeito. É só isto! Não gosto, critico, mas não discrimino e tento não ofender.

Eu tenho amigo hétero, gay, bi, amigas que curtem novas experiências, amigos brancos, negros, amarelos, pardos, maconheiros, pinguços, crentes, macumbeiros e por aí vai, mas não me importa o que eles fazem de seus corpos, sua cor, religião, time do coração ou qualquer outra coisa. Eu tenho eles como companheiros de jornada aqui neste planetinha medíocre, tenho e lhes presto respeito e assim passamos bons momentos juntos.

Em todos os caso a equação é muito simples: respeitar, ser educado e colher os frutos deste processo.

Chega então de falar de mim. Voltemos ao planetinha medíocre. Fico farto e desligo a TV de minha casa e vou assistir um seriado made in USA, pois está cada dia mais foda de aturar o planeta.

Crise aqui e ali, por pura e simples especulação financeira, onde um velhote decide que não é seguro investir no país "X" e todos os outros velhotes, seus amigos, brincam de ver a massa se batendo quando retiram seus investimentos das bolsas do país da vez.

Funk, achés, pagodinhos, todos ridículos, sem sentido algum, abusando de frases com duplo sentido, apresentando mulheres seminuas que exploram suas curvas (e algumas banhas) para uma nova forma de prostituição, onde só não ocorre a penetração porque não tem um cachê do Brasileirinhas, mas se rolar, rola a rola na caçapa. E quase a totalidade das jovens sonha em se tornar a nova musa da bundinha sarada, mas isto tudo leva rótulo de cultura.


Agora nós estamos bem perto do buraco, isto mesmo, pifados, pois já temos o sistema de cotas nas universidades, para quem ainda quer acreditar na educação como chave para a mudança. É ridículo demais. A escravidão acabou faz tempo, Hitler perdeu sua guerra e somente quem é pobre miserável é que precisa de uma cota, que precisa de amparo. Tudo bem, portador de necessidades especiais também precisa, desde que interfira em sua capacidade cognitiva, senão, rala peito e estuda.

Pro inferno com cota de 20% de vagas para negros, 10% para amarelos, 1 vaga para indígenas. O nome disto, vem dos tempos do Ariri, é racismo, sociedade hipócrita. Segregação racial é racismo e não me venham com discursos de sociólogos com "chances de vida", pois muitas das que eu tive, assim como várias pessoas aqui na Terra, foram conquistadas na base do suor, sangue e lágrimas. Dá pra correr atrás, tendo vontade e orientação adequadas.

Por fim, a coisa que me fez pisar sobre os butiás que caíram do meu bolso, foi a necessidade de um projeto de lei para que se use uma porcaria de fone de ouvidos no transporte coletivo, sob a pena de levar uma multa, pois está na moda o(a) cidadão(ã) entrar no buzum e colocar o seu funk do pente a "bombar" para todos ouvirem. Uma lei, para cobrar o básico: educação. (eu ia falar do diado do respeito novamente, mas educação soou melhor).

Caralho, tem gente ainda passando fome ali nas ilhas do Guaíba velho, aqui em Sapucaia, aí na sua cidade, talvez até na sua rua. A expectativa de vida no Oriente Médio é cada vez menor, por causa de fanatismo religioso somado com intolerância. Nenhum político no Brasil move uma palha para tentar melhorar a distribuição da renda para a população. É tanta coisa que eu iria ficar uma semana escrevendo e não listaria tudo.

Sinta vergonha por saber que você está lendo isto numa pequena fuga do Facebook ou do Orkut, onde compartilhou 526 imagens de piadas de seus amigos, fotos de animaizinhos sendo maltratados, campanhas em prol de mais um feriado ou de uma bereja na sexta, mas também não move uma palha para tentar mudar o planeta ou ajudar a organizar melhor a sociedade onde vive, o planeta onde vegeta, pois você não se sente responsável por nada.


Como foi dito no "clube da luta": "Você (onde me incluo) é a merda do mundo, e faz tudo para chamar a atenção!" Nada mais do que isto.

Pronto! Agora vou voltar ao meu egoísmo, ostracismo e egocentrismo e cuidar de meus filhos, minha esposa e da minha casa, minha vida.

Boa noite!



Carlão (I've said too much) Bueno

sábado, 31 de dezembro de 2011

Último Post Cretino do Ano...


Hoje termina 2011. Ou amanhã, nunca me dou bem com essa história de que hora o dia começa ou termina...

Mas se alguém estiver se perguntando como me sinto em relação a isso, me deixe contar como foi meu dia.
Acordei, abri a janela e descobri que estava chovendo pra burro. Esperei até as 18:00 pro tempo dar uma estiada boa, passei no meu trabalho e fui rumo à praia, onde minha família me aguardava. Aí é que realmente começou meu suplício.

No início da viagem, umas duas cidades à frente, dois caras deram a entender que iriam tentar roubar minha moto. Acelerei e, com uma manobra um pouco imprudente de minha parte, consegui ficar entre dois ônibus que passavam. Como a estrada era mão única e estava bem movimentada, os dois tentaram me alcançar, porém  sem sucesso.

Dirigi aproximadamente 100 km até chegar ao pedágio, onde costumo parar para descansar um pouco antes de seguir a viagem. Parei na lancheria, tomei um café e comi um sanduíche. Bons, até. Mas não valiam os R$13,00 que me custaram.

Ao voltar para a estrada, notei que o trecho à frente estava com uma ventania muito forte, o que provavelmente seria um problema pra mim. E, de fato, foi. Dirigindo a 40 km/h, o vento quase me derrubou. Três vezes. Cheguei a colocar o pé no chão em uma delas.

Vendo que não tinha outro jeito, dei meia volta e dirigi mais 100 km até chegar em casa. A viagem de volta também foi repleta de emoção. Pensei que não daria tempo, mas consegui chegar ao posto de combustível com 2 L de gasolina no tanque. Após, voltei para casa, para passar o meu primeiro réveillon longe da minha família.

Ah, na verdade meu tormento ainda não terminou, pois, enquanto escrevo este texto, o vizinho do lado prepara um churrasco ao som de “Ai, se eu te pego”... É tortura demais...

Alguns podem pensar que estou mal-humorado, mas enganam-se... Estou MUITO mal-humorado...

Mas nem por isso deixarei de desejar um feliz ano novo à todos!



Ezequiel, o Apache

domingo, 25 de dezembro de 2011

Um desejo

Buenas!!!

Eu continuo sem entender esta lógica natalina. Somos estúpidos, alguns até arrogantes, mentirosos, trapaceiros, estúpidos novamente, desde os primeiros raios de sol da manhã do dia dois de Janeiro até perto do final do ano. Fatal! Chegou a segunda quinzena de Dezembro, tudo é paz, alegria, scrap de Papai Noeli, e meus 526 amigos de Orkut lembram que eu e os seus outros 526 amigos existem. Chega à ser ridículo.

Tenho três amigos que me procuram durante o ano, poucos parentes visitam minha "omilde residença" e conheço apenas um de meus vizinhos, com quem até degusto uma cerva gelada eventualmente. Anti social, estúpido, bicho do mato e por aí vai a série de adjetivos que você pode escolher para mim, mas continuo sem sair à lamber as 526 pessoas que ignoram minha existência durante o ano, só porque se convencionou que nesta época ninguém pode saber que somos mesquinhos.

"...A burguesia fede..." cantou Cazuza, mas hoje ela não fede e nem cheira tão mal quanto uma sociedade hipócrita que continua escondida atrás de dogmas e preconceitos sem tomar uma atitude real em prol de quiçá tornar realidade algum desejo fajuto de final de ano.

"...Nossos ídolos ainda são os mesmos, e as aparências não enganam não..." como ouvi a Elis cantando, infelizmente para as paredes...

Mas não se assustemos, amanhã temos o "gap" entre Natal e New Year, onde algum transeunte ainda vai me empurrar na escada do metrô... e me desejar boas festas em alguma rede social...


Carlão (que não ganhou um Lego) Bueno