O silêncio era tudo o que pairava na velha casa. Cada um em seu canto da sala se preparando da melhor maneira possível para o que viria a seguir. Ele, amarrado em sua velha cadeira, apenas observando ela em pé observando as ferramentas sobre a mesa.
Era estranho imaginar que uma garota tão pequena pudesse prender sozinha Joel em uma cadeira. Aliás, também era difícil de imaginar como uma tira de tecido seria capaz de prender alguém com quase dois metros de altura em uma cadeira tão velha. Mas lá estava Joel, preso, apenas observando e aguardando qual seria o próximo passo de sua algoz.
Ela então, fitando-o com um olhar de grande ternura, pegou a primeira de suas facas prateadas, aproximou-se do rapaz e, com uma delicadeza quase angelical, penetrou a lâmina estreita com precisão quase cirúrgica entre o peritônio e o jejuno de Joel. A dor era inexplicável, porém, mesmo sem qualquer tipo de mordaça, Joel soltava apenas um gemido abafado.
Novamente, a garota cruzou o olhar com os penetrantes olhos azuis de Joel, ostentando um sorriso que derrubaria o mais bruto dos seres, a garota demonstrava um misto de carinho e compaixão pelo rapaz.
Pegou a segunda das sete facas que jaziam sobre a mesa. Com um suave beijo no ombro de Joel, a garota alojou a faca atrás do úmero direito do rapaz, que desta vez deixou escapar um gemido mais intenso.
E assim foi, beijo após beijo, faca após faca... Patela, nervo mediano, ilíaco, coracobraquial, e a última lâmina...
"Querido - disse a garota - estamos quase acabando... com esta última faca, abrirei sua jugular... você vai sentir um pouco de frio, mas em dois minutos tudo estará terminado. Sentirei sua falta..."
O rapaz ofegante, coberto por suor e sangue, olhou para a garota balançando a cabeça em sinal negativo. Com muita dificuldade levantou a cabeça, abriu a boca e, em um sussurro abafado disse: "Não... Não... No coração, por favor...".
A garota sorriu, encostou sua testa na de Joel, afagou seu rosto e, deixando escapar uma última lágrima, penetrou a faca no peito do rapaz com uma delicadeza própria de quem faz uma carícia. Por um momento os dois se olharam diretamente nos olhos. Um último suspiro foi dado, o corpo do rapaz já não realizava mais nem em movimento, apenas alguns espasmos... Um sorriso brotou em seu rosto, a íris se dilatou... Era o fim...
Ezequiel Stone


